A escrita é algo que brota de nossa experiência. Quanto mais rica for a nossa vida, quanto mais paisagens observarmos, quanto mais pessoas tentarmos entender e quanto mais sentimentos nos arriscarmos a sentir, tanto melhor escreveremos. Se nossa vida for muito estreita, nossa escrita interessará somente a nós mesmos.
Setembro 21, 2008
Setembro 17, 2008
Você gosta de escrever, escreva. Simplesmente escreva. Nem tudo o que você escreve precisa ser publicado. Nem tudo o que você escreve precisa ser bom aos olhos dos outros. Nem tudo o que você escreve precisa fazer sentido.
Escrever não é proibido. Escreva sobre o que você vê ao seu redor. Escreva sobre o que o incomoda. Escreva sobre o que você já fez e ainda quer fazer. Escreva sobre aquilo que você se se orgulha de ter feito. Escreva para experimentar. Escreva para abrir a porta para as palavras.
Setembro 13, 2008
Um bom exercício: imagine um personagem A, com suas principais características. Imagine, depois, como esse personagem se vê. Aí imagine um personagem B que seja o oposto do personagem A. Imagine como ele se vê. Para finalizar, construa mais dois personagens: um que seja o contrário de como o personagem A se vê e outro que seja o contrário de como o personagem B se vê. Escreva tudo. Divirta-se com sua imaginação.
Agosto 31, 2008
Exercícios
Posted by escreveres under Escrita | Tags: descrição, Escrita, exercício, narrativa, personagem, primeira pessoa, terceira pessoa |Leave a Comment
Narrativas – escrever um parágrafo em primeira pessoa e depois reescrevê-lo em terceira pessoa. Observar os resultados.
Personagens – descrever características próprias de dez pessoas que você conhece, imaginando como você poderia apresentá-las ou introduzi-las em uma história. Você pode também observar algumas pessoas durante o dia (na rua, no ônibus, na fila do banco…) e usá-las como modelos. O que descrever? Aparência, gestos, discurso, atitude, ação, modo de interagir com os outros, habilidade ou inabilidade etc.
Julho 13, 2008
O enredo é a seqüencia de eventos em uma história. Ele contém uma introdução, onde são apresentados os personagens, a época, o local onde se passa a história. De repente, os eventos começam a se complicar, e um conflito é revelado. No clímax, teremos um momento decisivo, uma virada. É quando o leitor se pergunta o que irá acontecer e se o conflito será resolvido ou não. O personagem principal geralmente recebe uma informação, com a qual pode ou não concordar, e age de acordo com essa informação. Ele fará uma escolha que determinará se ele atingirá ou não seu objetivo. A partir daí, as complicações começam a se resolver para o leitor, e a história se encaminha para um desfecho.
Julho 12, 2008
Grupos de escritores são terapêuticos. Não que precisem ser. Podem ser primordialmente divertidos, podem ser um passatempo e, de quebra, ainda podem fazer de você um escritor para orgulhar qualquer mãe (desde que você não escreva um livro falando mal da sua, claro).
No Brasil, creio, não são muito populares (que pena!). Mas, como tudo, não tardará. Planto uma sementinha. Se alguém se interessar, pode falar comigo, que me interesso também.
Esses grupos são ótimos estimulantes de idéias. Ajudam a vencer o isolamento e servem de laboratório para você compartilhar seus trabalhos e ouvir críticas. Ficam bem quando contam com 10-15 participantes. Assim, o risco de que todos faltem a um encontro diminui, mas a proximidade, não. Em até 15 pessoas, todos têm boas chances de participarem, falarem, serem ouvidos.
Sempre é útil ter alguém mais experiente, mas os novos devem ser encorajados. Trazem frescor e novas idéias.
Se o objetivo for ganhar dinheiro com a escrita, é bom que todos estejam focados em tentar emplacar seus rascunhos. Vendê-los, em palavras mais diretas.
Planejamento. Oh, well. Não queremos que o grupo acabe na pintura em cerâmica ou nas idas ao cinema. Ter um grupo de amigos é bom, mas aqui estamos falando de um grupo de escritores, primordialmente. O que queremos, como faremos? Disciplina, sinto muito ser chata, é bem importante para quem tem um objetivo em mente. O plano pode incluir o número de encontros por mês e a duração de cada um deles. Duas horas, com quatro leituras comentadas, por exemplo. Leituras comentadas, criticadas, mas também elogiadas. Sejamos civilizados. Uma boa critica não agride: uma boa crítica soa como uma sugestão e fica muito melhor acompanhada por um incentivo. Não é o momento para briga de egos. Nem para mágoas, caso uma sugestão não seja seguida. As sugestões podem incluir não só dicas para melhorar o texto, mas também sobre como ele poderia ser vendido ou aproveitado comercialmente. Quando isso acontecer, celebremos juntos.
Iniciando um grupo
Encontre um lugar. Pode ser um café, um parque ou mesmo a casa de alguém, claro.
Estabeleça dias e horários. Divulgue. E-mails, jornais de bairro, lojas próximas, caixas de correio.
Comprometam-se com pelo menos quatro sessões. Vai demorar mais ou menos isso para que as pessoas se conheçam e comecem a se sentir confortáveis.
Caprichem na escrita e escrevam sempre. E, não esqueçam, quero ser convidada!
Julho 7, 2008
Pensando sobre a escrita ficcional
Posted by escreveres under Escrita | Tags: Escrita |Leave a Comment
Elementos a se considerar na composição de um texto ficcional:
Onde se passa a história?
Quando acontece a história? Em que período histórico, momento do dia, em que ano? Está quente, frio, chovendo, nevando?
Como é a vida diária dos personagens? É uma vida típica de um local ou de uma classe social? Como eles falam, como se vestem, quais são seus hábitos?
A história terá um tom otimista ou triste? Macabro, assustador, ingênuo?
É interessante pensar sobre tudo isso antes de produzir um texto. Poupa trabalho e rende em qualidade.
Junho 18, 2008
Escrever
Posted by escreveres under Escrita, Opinião, Pessoal | Tags: Escrita, Opinião |Leave a Comment
Antes de escrever pode ser útil pensar um pouco sobre o tema. Pensar livremente, sem censura: pensar tudo o que pensamos (é isso mesmo!) sobre o tema – concordemos ou não, gostemos ou não. Dê vazão às idéias, ou elas ficarão incomodando durante todo o processo. Pode-se até escrever esses pensamentos, bagunçados mesmo, no papel de rascunho. Resumidamente, em tópicos ou palavras-chave, porque escrever um texto de cada vez já basta.
O segundo passo é pensar sobre o tipo do texto, o tom do texto. Será sério? Engraçado? Persuasivo? Poético? Será para crianças? Para adultos? Adolescentes? Para gente próxima, ou exigirá mais formalidade? Só isso.
Agora é hora de sistematizar o que há para ser dito. De tudo aquilo que pensamos ou rascunhamos sobre o tema, o que é mais importante ou conveniente para o tipo de texto que queremos? Agora, sim, é imprescindível colocar no papel, fazer uma lista dos itens ou opiniões que vieram pra ficar.
Deu? Uma vez que sabemos o que queremos abordar, vamos pensar nos parágrafos: o que irá no primeiro, no segundo, no terceiro… ops! Que tamanho terá o texto? É o momento de rever os itens que queremos incluir: vão entrar todos? Precisamos de mais argumentos? De mais exemplos? A fórmula simples é a de um item por parágrafo, mas pelamordedeus, os parágrafos devem ser ligados entre si. Um deve levar a outro, seja ampliando a idéia, seja contrapondo o que foi dito. Uma boa dica é recorrer aos pensamentos que tivemos ao elaborar a imprescindível lista do que será abordado: o que em um item nos levou a pensar no outro? Geralmente nosso pensamento já tem uma certa lógica. Se não, com um hábito de leitura e uma certa prática de escrita, isso vem. Os parágrafos têm regras internas e externas, mas um leitor atento e escritor disciplinado acaba por aprendê-las sozinho (ou se interessando o suficiente para ir atrás da teoria).
Nesse ponto, já estamos com o esqueleto do texto. É só deixar fluir sem medo ao redor dele. Dar comida para esse esqueleto. No fim, vale a pena dar uma relida, de preferência até um dia depois. Se lhe parecer agradável (nunca é o meu caso), vá em frente. Caso contrário, faça os ajustes necessários: na ortografia, na gramática, no conteúdo e no tom. Mas tente não perder de vista seus objetivos iniciais, ou você correrá o risco de se perder no texto, fazer cara de malvado ou de bebê chorão, apertar o delete, jogar o papel no cesto de lixo. Aí, cagada feita, respire fundo e comece de novo.
Junho 17, 2008
Por que escrever?
Posted by escreveres under Escrita, Opinião | Tags: Escrita, Opinião |Leave a Comment

Sabe aquela máxima que diz que devemos nos tornar uma boa companhia para nós mesmos? Pois é. Quer uma melhor forma de companhia para você mesmo do que um texto que você mesmo está escrevendo? É como uma conversa, e é você, ali. Em última análise, é de você para você, ainda que tenha um leitor intrometendo-se na sua mente ou deliciando-se na frente de suas palavras.
Escrever é desabafar (às vezes para não desabar), é pôr para fora, mas é também digerir e tentar compreender. Escrever acalma, esclarece, dramatiza e sistematiza. Escrever facilita a resolução de problemas e embasa a tomada de decisões. Mas escrever nem sempre precisa ser tão sério: escrever distrai e diverte, dependendo do tipo de texto que você se propõe a criar. Porque escrever, ninguém nega, é criar e dar vida. É uma porta aberta para a criatividade, sua e do leitor. Assim como ler, escrever não é um exercício solitário. Escrever comunica e cria laços.
Em suma, a escrita é a construção de uma identidade: quem sou eu? Como estou eu? Como eu quero que o leitor me veja? O que eu quero que o leitor pense? Escrever é simples e complexo: envolve pensamentos e intenções, mas não passa de palavras em um papel ou em uma tela, palavras que tanto podem ter ido parar aí de forma espontânea e casual, como podem ter passado por um demorado crivo lógico e sentimental. Porque escrever nos oferece muitas possibilidades e nos guarda muitas surpresas: até onde somos capazes de ir, escrevendo? Até que países, até que pessoas, até que leitores e que corações? Quem somos capazes de sermos, que reações somos capazes de despertar? Para descobrirmos, basta aceitarmos o desafio e colocarmos a mão na massa – ou na caneta. Ou no lápis.
Computador também vale, claro.
Junho 16, 2008

Não me lembro exatamente quando eu comecei a ler livros. Lembro-me de comprá-los. De, como toda criança, escolher o que tinha figuras mais bonitas para depois ver que a história, em si, decepcionava, sem me dar conta de que uma história pode, também, ser contada por imagens – só por imagens.
Ler, aliás, é evocar uma porção de imagens em nossa cabeça. Leio sobre um ambiente, imagino aquele ambiente; leio sobre uma pessoa, imagino aquela pessoa. Leio sobre os sentimentos de um personagem e de repente já me sinto íntimo daquele personagem. É por isso que livros podem ser excelentes companheiros. Somos ou companheiros dos personagens ou do autor do livro, que dividiu aqueles momentos conosco. Ler nunca é tão solitário quanto parece. Ler sempre inclui uma certa cumplicidade.
Mas, além de evocar imagens, ler instiga. Instiga nossa lógica, exercita nossa capacidade de concatenar pensamentos e idéias. Ler nos desafia, ler nos leva a tomar posições, nos leva a refletir sobre nossas preferências e nossas crenças. O exercício da leitura faz bem para a inteligência, melhora a concentração e acalma nossos temores. Com a leitura, aprendemos a pensar de forma mais flexível e a ponderarmos um maior número de argumentos. Ler nos leva a buscar e a encontrar soluções.
Alguns livros, é bem verdade, podem ser muito chatos. Podem ser um porre. Puro azar de quem pegou estes livros da prateleira, um atrás do outro. Ler é chato quando não nos captura, quando a professora na escola nos manda ler “Inocência” e nós sequer entendemos as palavras de Visconde de Taunay. Não é que Visconde de Taunay seja ruim; talvez apenas não seja o momento de ler Visconde de Taunay. Não é, veja bem, que não seja o momento de ler at all. Sempre que você pegar um ou dois livros ruins na prateleira, encare como uma ida ao médico ou uma batalha pela conquista do companheiro ideal: persista. Não gostou do primeiro, tente outro, e outro, e outro, até encontrar um que lhe agrade. Só não dá é para não ler. A leitura, como o amor e a saúde, é fundamental para a felicidade do ser humano. Sorte de quem já descobriu isso.